quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Lágrima de Preta

Hoje, a pedido de uma professora, fui ler a uma apresentação um poema.
Era um poema que eu conheço bem, aliás, é bastante conhecido, e sempre gostei deste poema: Lágrima de Preta de António Gedeão. A moral do poema é que, seja qual for a cor da pele, somos todos iguais, e isso é uma grande verdade, que maior parte das vezes é ignorada.


Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

2 comentários:

Leonor disse...

As pessoas gostam de rotular as outras pessoas, eu inclusive. Separamos tudo. Preto, Branco, Chinês ou Indiano. Separamos por estilos de roupa e até por opções musicais. Mas muitos de nós, quando fazemos estas distinções, esquecemo-nos que somos todos iguais e o que importa realmente, não é a nossa aparência mas sim o nosso carácter.

Cátia disse...

O António Gedeão foi professor de Física no meu liceu. Sei isso porque estamos a toda a hora a ir a conferências sobre o senhor. Tens razão, é um grande poema, mas pessoalmente continuo a preferir Pessoa.
:)

Abraço.