quinta-feira, 9 de julho de 2009

Dias longos


[Se não tiverem paciência de ler o post todo, leiam a parte final, é a que importa]



As minhas últimas 48 horas pareceram 48 dias.

Desde que soube que podia ter HIV e me ter apercebido da gravidade da situação até fazer realmente o exame, estive em num estado em que nunca estive antes.

O mais parecido com o estado em que estive foi no meu 7º ano, quando tinha 12 anos, e que sabia que ia receber dois testes negativos. Hoje tinha dado tudo para ter a certeza que o teste também ia dar negativo, aliás nada mais me importava, desde que o teste desse negativo.

Em dois dias aprendi mais sobre a SIDA do que em todos os projectos que vi e que fiz sobre este tema em toda a minha vida, e já foram alguns.

Revelei-me uma completa fraca. Não estava à espera de ter reagido tão mal. Tive um ataque de pânico de 10 horas, que foi quando me apercebi da gravidade da situação, em que estive agarrada à almofada a desejar ter a minha mãe ao meu lado e que ela soubesse de tudo, de não conseguir comer nada, de tudo o que dava na televisão, que ouvia na rádio ou que via na Internet parecer estar associado a DST, de me deitar no sofá dos meus avós e pedir a todos os santinhos que me ajudassem.

Durante dois dias fiz de tudo o que me lembrava para ser boa pessoa. Não contei a ninguém sobre este assunto pois isso poderia ter algum tipo de consequência no resultado do exame – eu tenho essa ideia, apesar de racionalmente não ter lógica – e a palavra que mais repeti foi “Karma”. Fazia tudo a pensar no Karma.

Quanto mais perto do dia do exame estava, mais calma ficava, ou pelo menos sem os ataques de pânico. Se haviam momentos em que estava em pânico total, noutros não me parecia o fim do mundo ter SIDA.

Nunca tive medo da morte até hoje. Pelo que eu sei posso muito bem morrer amanhã, mas também pode ser só daqui a 100 anos. É preferível não saber do que ter uma “data de validade”, saber que tenho 10 anos, no máximo 15, de vida.

Uma vez na Clínica de Saúde foi relativamente rápido. Esperar pela minha vez, entrar, falar com a psicóloga. Eu era a nº 17 do dia de hoje. O nº 16 tinha sido a minha namorada. Ainda não tinha havido nenhum teste que tivesse dado positivo. Depois de falar com a psicóloga fui tirar sangue. Apenas um corte no dedo. Esperar meia hora… que pareceu uma eternidade… E… NEGATIVO! Nunca na minha vida imaginei estar contente por receber um teste negativo.


E a moral da história: Acho que toda a gente devia fazer o teste de detecção de HIV/SIDA. Já achava isso antes de o ir fazer e agora tenho ainda mais a certeza. Claro que dá medo, mas é preferível fazer e saber o mais cedo possível o resultado, do que ser tarde demais quando se descobrir.
Há centros de saúde que os fazem, não se paga nada e é anónimo.
Só há uma maneira de saber. Por isso façam a escolha certa.

2 comentários:

Ana disse...

realmente, nd cm fazer o teste para saber, mas mais vale prevenir do k remediar ;) temos d ter sp mt cuidado!!!

Lack Of Imagination disse...

Eu AINDA não fiz. Eu conheço pessoas que dizem "eu sou virgem, logo, nunca fiz sexo, logo, não posso ter SIDA".. pois bem, isso não é verdade e era bom que as pessoas mudassem as suas mentalidades!
Mas quem sou eu para dizer seja o que for..